Num mercado que recebe profissionais cada vez mais despreparados, ainda existe aqueles que levam nas veias o sangue do bom jornalismo, da qualidade na apuração dos fatos, da boa redação. O conselheiro da ESPN/RS, Jimmy “Negrinho”Azevedo é um desses exemplos de dedicação ao que faz. Homem essencialmente de rádio, que em sua prática lembra os grandes repórteres de um passado romântico da comunicação, ele fala para a gente o que pensa a respeito da profissão, nesse 07 de abril, dia do jornalista:
ESPN/RS – Quem é mais “ligado”? O jornalista de rádio, de TV, jornal ou internet? Porque?
Jimmy “Negrinho”Azevedo - O jornalista de rádio tem que ter um potencial de síntese (sem que comprometa a informação) muito maior. TV, Jornal e Internet têm imagens (vídeo e fotos) que são parte fundamental para contar a história. O Rádio tem apenas o áudio, seja com o repórter ou alguma sonora de entrevistado. Agora, a instantaneidade faz, sim, com que o repórter tenha que ter uma percepção mais apurada. Uma matéria de jornal, na maioria das vezes, é trabalhada durante horas. No caso do Rádio, a informação é dada ao vivo, numa velocidade que, confesso, às vezes me assusta.
ESPN/RS - Em qual momento tu chegaste a conclusão que era no rádio, a área do jornalismo que mais se identificava?
Jimmy - Ainda não cheguei, e, talvez, não queira uma conclusão tão hermética. A verdade é que trabalhar, dia-a-dia, com Comunicação Social é um desafio que exige o bom-senso, a autocrítica, a revolta, a paciência e o ESTÔMAGO! É apaixonante! Nunca tive um romance tão duradouro: completamos 10 anos em fevereiro, hehehehe! Agora, o Rádio, muito mais que qualquer meio, anda na velocidade da luz, por vezes à frente. É doido!
ESPN/RS - Pela quantidade e variedade de pautas por dia, muitas vezes ocorrem situações fora do comum, sejam positivas ou negativas. Qual situação mais inusitada já passaste num dia de trabalho?
Jimmy - Trabalhar em redação é vestir-se, diariamente, de um kit de sobrevivência. Saio de casa cedo, pelas 6h30, e às vezes volto cinco dias depois, sem ter me programado para tal. A cobertura da tragédia em Teresópolis, no RJ em fevereiro, é um exemplo. Cheguei à redação às 7h de uma quinta-feira e horas depois estava na zona norte do Rio pegando um ônibus pra Serra dos Órgãos. Retornei a Porto Alegre quatro dias depois, vestindo roupas que foram doadas para as pessoas que perderam suas casas. Quanto a uma situação inusitada, posso dizer que já apanhei, em cima do capô de um veículo oficial, dos seguranças de Hugo Chavez numa entrevista coletiva improvisada no Aeroporto Salgado Filho, durante o Forum Social Mundial. (na foto abaixo com o diretor executivo da ESPN/RS, Nelson Dutra, em uma das tantas emocionantes partidas de sinuca)
ESPN/RS - Como está a qualidade do radiojornalismo na tua opinião? Nossas rádios cumprem o papel de informar bem os ouvintes? Porque?
Jimmy - Fora a excentricidade autofágica de algumas emissoras e jornalistas, acredito que o caminho está certo. Lembrei dia desses que emissoras de rádio e TV dificilmente davam, há cinco anos, qualquer chance de ouvintes e telespectadores se manifestarem. Hoje, muito da pauta que se trabalha no dia-a-dia vem da população.
ESPN/RS - Qual a pauta mais difícil de cobrir?
Jimmy – Todas! É preciso atravessar labirintos para se chegar próximo de uma verdade que muitas vezes ao menos existe. A editoria de Política, na qual estou hoje, é um desses labirintos. P.S: Quero deixar registrado que é com extrema alegria que participo desta entrevista com a ESPN/RS!Embora ausente, nos últimos anos, acompanho as publicações dos eventos desta ilustre diretoria e seus convidados!


Eu que também já tive a oportunidade de trabalhar em rádio e pude presenciar de perto esta "excentricidade autofágica" a que ele se refere, quero dizer que admiro o Jimmy não só pela qualidade do trabalho, mas, fundamentalmente, pela humildade que ele tem. E por falar em humildade...é um papagaio de pirata este Nelson. Em todas as entrevistas ele coloca fotos dele com os entrevistados. Hahaha. Grande abraço aos meus amigos.
ResponderExcluirÉ para mostrar que sou amigo das celebridades! hehehehehe!!!
ResponderExcluirTinha me esquecido desta foto com o disco na pizzaria de Cambará. Show, nunca comi tanto!
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