8 de abril de 2011

Jimmy e a profissão: “Já apanhei em cima do capô de carro oficial”


Num mercado que recebe profissionais cada vez mais despreparados, ainda existe aqueles que levam nas veias o sangue do bom jornalismo, da qualidade na apuração dos fatos, da boa redação. O conselheiro da ESPN/RS, Jimmy “Negrinho”Azevedo é um desses exemplos de dedicação ao que faz. Homem essencialmente de rádio, que em sua prática lembra os grandes repórteres de um passado romântico da comunicação, ele fala para a gente o que pensa a respeito da profissão, nesse 07 de abril, dia do jornalista:


ESPN/RS – Quem é mais “ligado”? O jornalista de rádio, de TV, jornal ou internet? Porque?

Jimmy “Negrinho”Azevedo - O jornalista de rádio tem que ter um potencial de síntese (sem que comprometa a informação) muito maior. TV, Jornal e Internet têm imagens (vídeo e fotos) que são parte fundamental para contar a história. O Rádio tem apenas o áudio, seja com o repórter ou alguma sonora de entrevistado. Agora, a instantaneidade faz, sim, com que o repórter tenha que ter uma percepção mais apurada. Uma matéria de jornal, na maioria das vezes, é trabalhada durante horas. No caso do Rádio, a informação é dada ao vivo, numa velocidade que, confesso, às vezes me assusta.




ESPN/RS - Em qual momento tu chegaste a conclusão que era no rádio, a área do jornalismo que mais se identificava?

Jimmy - Ainda não cheguei, e, talvez, não queira uma conclusão tão hermética. A verdade é que trabalhar, dia-a-dia, com Comunicação Social é um desafio que exige o bom-senso, a autocrítica, a revolta, a paciência e o ESTÔMAGO! É apaixonante! Nunca tive um romance tão duradouro: completamos 10 anos em fevereiro, hehehehe! Agora, o Rádio, muito mais que qualquer meio, anda na velocidade da luz, por vezes à frente. É doido!


ESPN/RS - Pela quantidade e variedade de pautas por dia, muitas vezes ocorrem situações fora do comum, sejam positivas ou negativas. Qual situação mais inusitada já passaste num dia de trabalho?

Jimmy - Trabalhar em redação é vestir-se, diariamente, de um kit de sobrevivência. Saio de casa cedo, pelas 6h30, e às vezes volto cinco dias depois, sem ter me programado para tal. A cobertura da tragédia em Teresópolis, no RJ em fevereiro, é um exemplo. Cheguei à redação às 7h de uma quinta-feira e horas depois estava na zona norte do Rio pegando um ônibus pra Serra dos Órgãos. Retornei a Porto Alegre quatro dias depois, vestindo roupas que foram doadas para as pessoas que perderam suas casas. Quanto a uma situação inusitada, posso dizer que já apanhei, em cima do capô de um veículo oficial, dos seguranças de Hugo Chavez numa entrevista coletiva improvisada no Aeroporto Salgado Filho, durante o Forum Social Mundial. (na foto abaixo com o diretor executivo da ESPN/RS, Nelson Dutra, em uma das tantas emocionantes partidas de sinuca)




ESPN/RS - Como está a qualidade do radiojornalismo na tua opinião? Nossas rádios cumprem o papel de informar bem os ouvintes? Porque?

Jimmy - Fora a excentricidade autofágica de algumas emissoras e jornalistas, acredito que o caminho está certo. Lembrei dia desses que emissoras de rádio e TV dificilmente davam, há cinco anos, qualquer chance de ouvintes e telespectadores se manifestarem. Hoje, muito da pauta que se trabalha no dia-a-dia vem da população.


ESPN/RS - Qual a pauta mais difícil de cobrir?

Jimmy – Todas! É preciso atravessar labirintos para se chegar próximo de uma verdade que muitas vezes ao menos existe. A editoria de Política, na qual estou hoje, é um desses labirintos. P.S: Quero deixar registrado que é com extrema alegria que participo desta entrevista com a ESPN/RS!Embora ausente, nos últimos anos, acompanho as publicações dos eventos desta ilustre diretoria e seus convidados!

3 comentários:

  1. Eu que também já tive a oportunidade de trabalhar em rádio e pude presenciar de perto esta "excentricidade autofágica" a que ele se refere, quero dizer que admiro o Jimmy não só pela qualidade do trabalho, mas, fundamentalmente, pela humildade que ele tem. E por falar em humildade...é um papagaio de pirata este Nelson. Em todas as entrevistas ele coloca fotos dele com os entrevistados. Hahaha. Grande abraço aos meus amigos.

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  2. É para mostrar que sou amigo das celebridades! hehehehehe!!!

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  3. Tinha me esquecido desta foto com o disco na pizzaria de Cambará. Show, nunca comi tanto!

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