2 de abril de 2011

Nosso Homem do Apito analisa as regras e arbitragem no futebol


Luciano Gasparini Morais é membro antigo da ESPN/RS. Ao longo de todo esse tempo junto a nossa emissora, ele mostrou seu lado camaleão. Técnico em Edificações, jornalista, colecionador de objetos, pai coruja. Mas o que poucos sabem é que ele é árbitro de futebol! Seja pela Federação Gaúcha de Futsal ou pelo futebol de campo amador da Capital, Gasparini já teve o “prazer” de ouvir dezenas de pessoas o homenagearem. Leia abaixo a entrevista, onde ele expõe seus pontos de vista sobre esse ofício, muitas vezes incompreendido pelas torcidas e pelos meios de comunicação:


ESPN/RS - Qual a tua opinião sobre o momento atual da arbitragem brasileira?


Luciano Gasparini - Os erros de arbitragem são os mesmos de sempre. O avanço tecnológico é que os tem tornado mais evidentes. É muito simplista apontar os erros de arbitragem depois de se olhar, repetidamente, na TV, por uma, duas, cinco ou dez vezes para depois verificar, por exemplo, que a falta ocorreu dois centímetros dentro ou fora da área. O futebol está muito mais veloz e competitivo. Os jogos serão cada vez mais decididos no detalhe de uma falta que foi (ou não), de uma penalidade que aconteceu (ou não). Para minimizarmos os erros é preciso profissionalizar a arbitragem. A arbitragem é uma atividade secundária exercida meia dúzia de vezes por mês.


ESPN/RS - Por que o estilo de apitar dos nossos árbitros é bem diferente dos outros países sul americanos?


Gasparini - A cultura do país e o estilo de jogo dos atletas influenciam no padrão de atuação dos árbitros. A força física implantada no Uruguai e na Argentina, por exemplo, impede que o árbitro marque faltas a todo o momento, pois se fosse desta forma, quase não teríamos bola rolando. Por muito tempo, o Brasil teve um futebol mais técnico do que o dos outros países sul americanos e isso autorizava o árbitro a marcar faltas a cada contato mais forte. Agora já não é mais assim. A tendência daqui para frente é de vermos uma uniformização de critérios, pois, com a globalização, cada vez mais o futebol vai se assemelhando em qualquer parte do mundo. (abaixo, com o árbitro Carlos Simon)




ESPN/RS -Se fala em chip na bola, extinguir impedimento, dois árbitros em campo (assim como no futsal). Você mexeria nas regras e na estrutura de um jogo de futebol? Por quê?

Gasparini - Sou favorável ao chip na bola, pois é uma iniciativa que não altera as relações atuais dentro do campo de jogo e estabelece justiça. Não existe lance mais danoso que validar ou anular um gol injustamente. Também sou favorável à implantação de dois árbitros, cada um trabalhando num lado do campo. Os árbitros se desgastariam menos fisicamente e poderiam estar frequentemente mais próximo do lance. Quanto ao impedimento, acho que deve ser mantido. O motivo principal da existência do impedimento é incentivar as jogadas trabalhadas, a troca de passes, as estratégias de penetração na defesa adversária. Imaginem se não houvesse a linha do impedimento! Os chutões para os atacantes mais avançados iriam prevalecer mais do que nunca.


ESPN/RS - E a FIFA estaria disposta a fazer algumas alterações?

Gasparini - A International Board (órgão que regulamenta as regras do futebol) é muito conservadora. Em 2013 as regras do futebol completam 150 anos e se pararmos para pensar teve poucas inovações. É complicado mexer nas regras do futebol, pois o esporte virou um grande negócio e mudanças implicam muitos melindres. A International Board nunca volta atrás numa mudança de regra. Só faz modificações quando tem 100% de certeza que aquela alteração é para o bem do futebol. Isso torna o processo mais moroso e conservador. (na foto abaixo com o diretor executivo da ESPN/RS, Nelson Dutra)




ESPN/RS - Na tua opinião, quem é o melhor árbitro brasileiro na atualidade? Por quê?

Gasparini - Hoje, na minha modesta opinião, com as aposentadorias dos gaúchos Carlos Simon e Leonardo Gaciba, o melhor árbitro brasileiro passou a ser o mineiro Sandro Meira Ricc, que atua pela Federação Brasiliense de Futebol e faz parte do quadro de árbitros da CBF desde 2006. Inclusive, no ano passado, ganhou o Prêmio Craque do Brasileirão 2010 como melhor árbitro. Gosto muito do estilo dele, pois é um árbitro tranquilo, discreto, enérgico sem ser autoritário, faz boa leitura das regras do jogo e tem boa regularidade de uma partida para outra.

Gostaria de deixar uma mensagem: Exceto em raríssimas, mas raríssimas exceções mesmo (vide caso Edilson Pereira de Carvalho, em 2005), o árbitro entra em campo para acertar e fazer o melhor pela profissão, mas principalmente por ele. Infelizmente, precisamos saber conviver com o erro. Mas ao mesmo tempo defendo que um erro não pode colocar em risco todo o trabalho de um clube de futebol. Por isso, penso que todas as inovações que tem o intuito de minimizar estes erros são bem-vindas. No entanto, precisamos tomar cuidado para não robotizarmos o esporte.

Um comentário:

  1. Apesar de ser amigo há mais de vinte anos dele, posso dizer de maneira isenta: O Luciano é um ótimo árbitro e estudioso do esporte bretão! Aqui na entrevista ele nos trouxe, além de sua opinião, algumas informações legais! grande abraço ao Gasparini!

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