(PARTE FINAL)
Segunda e última parte da entrevista com o jornalista, músico e crítico musical, Douglas Dickel. Aqui ele lamenta a imaturidade musical do grande público. Para ele, o que toca nas rádios causa uma alienação que só a psicoterapia pode curar. Leia abaixo:
ESPN/RS - Antigamente, os discos vinham com aquela inscrição “música é cultura”. A música que o grande público escuta no momento, independente do estilo, é cultura?
Dickel - O que o grande público consome, em qualquer área artística, com raras exceções, não é cultura, tomando-se a palavra como sinônimo de arte. A significação antropológica de cultura é bem mais complexa. A arte pressupõe sempre um questionamento de linguagem e o grande público gosta do que é celebrado pela mídia, porque gosta de se confirmar socialmente. Se tu mostra um artista parecido com o famoso, pra alguém do chamado grande público, esse alguém não gosta. É muito semelhante, pode ser até da mesma cena, mas não é bom pra ele porque é desconhecido. Até de Beatles as pessoas reclamam. Uma colega reclamou e eu disse "Mas é Beatles!". Ela respondeu "Não dá pra tocar uma mais conhecida?"...

ESPN/RS - O que vai tocar nos ouvidos da gurizada daqui a alguns anos? Qual será a bola da vez entre estilos ou bandas?
Dickel - Não tenho a mínima ideia. Sertanejo universitário e emo certamente ainda estarão em alta.
ESPN/RS - Há pouco tempo, mesclar ritmos era algo inovador. Hoje essa prática parece ter caído no lugar comum. Está faltando criatividade para novos ritmos e letras mais elaboradas?
Dickel - Tem essas cantoras do Nordeste fazendo trabalhos interessantes. Aqui, a banda Apanhador Só e o próprio Fruet também trabalham questões rítmicas. Letras elaboradas dependem da coincidência do cara compor bem uma música, um arranjo & também uma letra, com poesia. O Arnaldo Antunes sempre faz letras interessantes, mas o restante acaba sendo meio chato.

ESPN/RS - O que tu acha do Restart, do sertanejo universitário e das bandas emo?
Dickel - Ruins. Produtos de venda. De tribos. Pretextos pra adolescentes se reunirem e se sentirem integrados. Quando caírem na real, se caírem, a saída será a psicoterapia. Sertanejos universitários são formiguinhas no universo Chitãozinho & Xororó.

ESPN/RS - O que vai tocar nos ouvidos da gurizada daqui a alguns anos? Qual será a bola da vez entre estilos ou bandas?
Dickel - Não tenho a mínima ideia. Sertanejo universitário e emo certamente ainda estarão em alta.
ESPN/RS - Há pouco tempo, mesclar ritmos era algo inovador. Hoje essa prática parece ter caído no lugar comum. Está faltando criatividade para novos ritmos e letras mais elaboradas?
Dickel - Tem essas cantoras do Nordeste fazendo trabalhos interessantes. Aqui, a banda Apanhador Só e o próprio Fruet também trabalham questões rítmicas. Letras elaboradas dependem da coincidência do cara compor bem uma música, um arranjo & também uma letra, com poesia. O Arnaldo Antunes sempre faz letras interessantes, mas o restante acaba sendo meio chato.

ESPN/RS - O que tu acha do Restart, do sertanejo universitário e das bandas emo?
Dickel - Ruins. Produtos de venda. De tribos. Pretextos pra adolescentes se reunirem e se sentirem integrados. Quando caírem na real, se caírem, a saída será a psicoterapia. Sertanejos universitários são formiguinhas no universo Chitãozinho & Xororó.

E quem são as cigarras?
ResponderExcluirSão mariposas que conviviam unidas outrora...
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