
Segunda e última parte da entrevista com o assessor de comunicação da Federação Gaúcha de Surf, Gabriel de Mello.
ESPN/RS - E o teu exemplo? Como descobriste o surf?
Gabriel - Sempre gostei de praia, passei uma boa parte da minha infância veraneando em Torres, e lá minha tia sempre dizia que para ir no fundo somente quando eu fosse um surfista. Dava risadas e sempre que podia procurava ir para o fundo. Mas já na adolescência, em Nova Tramandaí, num final de tarde conversando com um amigo que era feio igual a um raio, mas que arrasava com todas as meninas, descobri um segredo! O cara de prancha na praia é mais atraente que o Mané que vive o ano inteiro ao lado da gatinha na cidade...
ESPN/RS – Hehehehehe!!! E o que tu fizeste?
Gabriel - Claro, comprei a prancha, camisa de lycra (para não assar a barriga na prancha, pois era só o que conseguia colocar na prancha aquela altura) e quase um quilo de parafina que o meu amigo tinha para vender! Logo aprendi a segunda lição daquele verão... era preciso conseguir ficar em pé na prancha para que elas te assediassem, do contrário, elas apenas te olhavam e sabe Deus o que elas pensavam. O tempo passou, larguei a prancha meio que de lado, pois o carro também aproximava das gatinhas.

ESPN/RS – E como tu entraste no mundo das competições?
Gabriel - Em 2006, quando estudava jornalismo, fui quebrar um galho para um amigo cobrindo um Campeonato Gaúcho Amador. Maior roubada, eram 13 categorias e primeira competição depois de dois anos sem circuito. Trabalhei igual a um burro para ganhar R$ 50,00 reais, que não cobriam nem mesmo a minha despesa. Depois de um mês pintou outra etapa, só que cobrei bem melhor desta vez, e mais outra, e mais outra, e mais outra, e comecei aprender todos os detalhes da competição de surf, além de tirar a poeira da velha prancha lá de 1995. Dentro de poucos meses estava namorando uma menina que morava em Torres e algum tempo depois meus pais se mudaram para Torres. Minha vida foi indo calmamente para a beira da praia. Tive a oportunidade de aprender os macetes com os melhores surfistas da história no estado, fazer amizades e conhecer pessoas maravilhosas. Virou vício!
ESPN/RS - Você já está na organização de campeonatos aqui no RS há bastante tempo. Qual situação vivida em uma competição mais te marcou, desde então?
Gabriel - Tenho vivido experiências únicas desde que me atirei de cara neste esporte. A que mais me marcou foi ouvir um relato de um pai que viu sua filha morrer em uma rede de pesca. Ouvir os detalhes de como ele tentou salvar a menina, a agonia daqueles momentos, todo o sentimento que ele passou foi, sem dúvida o que mais me marcou. Sei que algumas pessoas devem estar pensando, com tanta coisa boa, ele vai lembrar logo de uma dessas... Mas posso garantir para vocês que nunca, em toda a minha vida, vi algo parecido, nem mesmo em outros relatos semelhantes.

ESPN/RS - Poderemos ter um gaúcho campeão de um WTC no futuro? Qual seria a aposta do momento entre a gurizada que está começando por aqui?
Gabriel - Com certeza, podemos! Falar de futuro no esporte pode servir para queimar a língua, mas não podemos tirar o sonho de gerações que ainda vem pela frente. Não vi ainda nenhum atleta gaúcho com condições de ganhar um Word Tour. Para isto é preciso pegar ondas diferentes das que temos aqui, é preciso viver o sonho de ser apenas surfista. E cá para nós, dificilmente você deixaria seu filho apenas surfar, sem se preocupar com mais nada...
ESPN/RS - E o teu exemplo? Como descobriste o surf?
Gabriel - Sempre gostei de praia, passei uma boa parte da minha infância veraneando em Torres, e lá minha tia sempre dizia que para ir no fundo somente quando eu fosse um surfista. Dava risadas e sempre que podia procurava ir para o fundo. Mas já na adolescência, em Nova Tramandaí, num final de tarde conversando com um amigo que era feio igual a um raio, mas que arrasava com todas as meninas, descobri um segredo! O cara de prancha na praia é mais atraente que o Mané que vive o ano inteiro ao lado da gatinha na cidade...
ESPN/RS – Hehehehehe!!! E o que tu fizeste?
Gabriel - Claro, comprei a prancha, camisa de lycra (para não assar a barriga na prancha, pois era só o que conseguia colocar na prancha aquela altura) e quase um quilo de parafina que o meu amigo tinha para vender! Logo aprendi a segunda lição daquele verão... era preciso conseguir ficar em pé na prancha para que elas te assediassem, do contrário, elas apenas te olhavam e sabe Deus o que elas pensavam. O tempo passou, larguei a prancha meio que de lado, pois o carro também aproximava das gatinhas.

ESPN/RS – E como tu entraste no mundo das competições?
Gabriel - Em 2006, quando estudava jornalismo, fui quebrar um galho para um amigo cobrindo um Campeonato Gaúcho Amador. Maior roubada, eram 13 categorias e primeira competição depois de dois anos sem circuito. Trabalhei igual a um burro para ganhar R$ 50,00 reais, que não cobriam nem mesmo a minha despesa. Depois de um mês pintou outra etapa, só que cobrei bem melhor desta vez, e mais outra, e mais outra, e mais outra, e comecei aprender todos os detalhes da competição de surf, além de tirar a poeira da velha prancha lá de 1995. Dentro de poucos meses estava namorando uma menina que morava em Torres e algum tempo depois meus pais se mudaram para Torres. Minha vida foi indo calmamente para a beira da praia. Tive a oportunidade de aprender os macetes com os melhores surfistas da história no estado, fazer amizades e conhecer pessoas maravilhosas. Virou vício!
ESPN/RS - Você já está na organização de campeonatos aqui no RS há bastante tempo. Qual situação vivida em uma competição mais te marcou, desde então?
Gabriel - Tenho vivido experiências únicas desde que me atirei de cara neste esporte. A que mais me marcou foi ouvir um relato de um pai que viu sua filha morrer em uma rede de pesca. Ouvir os detalhes de como ele tentou salvar a menina, a agonia daqueles momentos, todo o sentimento que ele passou foi, sem dúvida o que mais me marcou. Sei que algumas pessoas devem estar pensando, com tanta coisa boa, ele vai lembrar logo de uma dessas... Mas posso garantir para vocês que nunca, em toda a minha vida, vi algo parecido, nem mesmo em outros relatos semelhantes.

ESPN/RS - Poderemos ter um gaúcho campeão de um WTC no futuro? Qual seria a aposta do momento entre a gurizada que está começando por aqui?
Gabriel - Com certeza, podemos! Falar de futuro no esporte pode servir para queimar a língua, mas não podemos tirar o sonho de gerações que ainda vem pela frente. Não vi ainda nenhum atleta gaúcho com condições de ganhar um Word Tour. Para isto é preciso pegar ondas diferentes das que temos aqui, é preciso viver o sonho de ser apenas surfista. E cá para nós, dificilmente você deixaria seu filho apenas surfar, sem se preocupar com mais nada...
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