14 de julho de 2011

Meu escritório é na praia...



Gabriel de Mello vive o surf o ano todo. Assessor de Comunicação da Federação Gaúcha de Surf, esse jornalista natural de São Leopoldo, mora em Porto Alegre, mas adotou Torres como extensão de casa. Na primeira parte da entrevista a ESPN/RS, ele fala como está o cenário gaúcho para esse esporte que só cresce em praticantes e cifras ao redor do mundo. Confira abaixo:

ESPN/RS - Como está o surf gaúcho em relação ao restante do país?
Gabriel de Mello -
O surf gaúcho vive um momento de dificuldade de renovação. Temos grandes nomes de destaque até internacional, como Rodrigo “Pedra” Dornelles e Daison Pereira, mas não temos um substituto para ambos, que já estão na casa dos 30 anos. Isto é muito ruim, pois corremos o risco de ficar sem o chamado espelho para as próximas gerações. O Daison e o Pedra ainda representam o RS de forma brilhante, dentro das condições de mar que temos aqui é possível dizer que eles fazem milagre.



ESPN/RS – Está tão complicado assim?
Gabriel -
Se comparado com Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro temos o pior panorama no sentido de competidores com destaque internacional, patrocínios e concentração de competições. Mas uma coisa ninguém bate o surfista gaúcho: ele é guerreiro... A maior parte do tempo ele surfa com temperaturas baixíssimas e ondas, no máximo, regulares. O nosso atleta dificilmente encara um mar com boas ondas, Para isso é preciso viajar! Para viajar é preciso patrocínio (mesmo que seja do papai), para ter patrocínio é preciso viajar, e o ciclo vicioso está instalado.

ESPN/RS - Geralmente, esportes como futebol e vôlei são praticados diariamente nas escolas. Como nasce o gosto pelo surfe na criança ou no adolescente?
Gabriel -
O surfista é por natureza um cara diferente, que é movido a desafios e superar limites. Tu não consegues surfar se não for persistente. Para gostar de surf, tem de gostar de viver nos limites, buscar sempre o contato com a natureza e radicalizar. Hoje, existe o circuito Colegial de Surf, que busca o embate individual e por escolas, mas o acesso é muito restrito.



ESPN/RS - E como fazer para que mais jovens pratiquem esse esporte?
Gabriel -
Para que mais jovens pratiquem este esporte é preciso acabar com a imagem de que quem surfa e maconheiro, vagabundo a arruaceiro. Hoje a maioria dos surfistas são profissionais bem sucedidos em suas profissões e que adotaram o surf como estilo de vida. É muito comum ver advogados, juízes, dentistas, médicos, jornalistas, vendedores, professores, dentre muitos outros, entrarem no mar com suas pranchas para se divertir. Arrisco a dizer que depois de “pegar” uma onda, a pessoa nunca mais deixa de surfar. Tu até pratica outros esportes, torce por times de futebol, assiste corridas de carro, mas nunca deixa de “colocar para baixo” nas ondas. É uma bomba de adrenalina!

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